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Tenho por hábito, já há alguns anos, fazer uma aula só com o Surya Namaskar, no início da primavera.
Não o Surya Namaskar A ou B, mas o Clássico, com seus 12 mantras.
Nesta aula uso uma gravação dos mantras que se repete 12 vezes, fechando um ciclo.
Os mantras trazem 12 nomes para o Sol. E gosto de lembrar aos alunos algo que aprendi: o Sol representa a consciência; e é a essência do Sol - em última instância, a energia que sustenta o Sol, bem como todo o Universo -, que é saudada.
E vale lembrar que o Sol é associado, em muitos mitos, com o impulso para a realização da própria natureza, ideia que tem a ver com o Dharma, na cultura védica. Cada um de nós deve realizar o Dharma pessoal (Sva Dharma) em consonância com o Dharma eterno (Sanatana Dharma).
Meu professor Osnir Cugenotta comentou uma vez que via isso no símbolo astrológico usado para o Sol: o ponto (singularidade), contido na esfera, na totalidade.
Símbolo astrológico para o Sol |
"(...) Ele (o herói) deve encetar sua busca por ser pressionado a ela por sua necessidade interior, não porque isso fará com que as outras pessoas o amem. Contudo, no ato de se tornar um indivíduo ele está dando uma contribuição aos demais. Por aí você pode ver que o Sol é profundamente paradoxal. Quando nos tornamos nós mesmos, temos muito mais a oferecer do que se nos esforçássemos para tentar salvar o mundo como forma de compensar um vazio interior." (pags. 84 e 85)
Para finalizar: costumo fazer essa aula no início da primavera porque é a estação em que a vida surge - ou ressurge, porque a vida não se extingue - com força. E neste ano, sincronisticamente, antes da primeira aula da 2ª feira, uma amiga citou "primavera nos dentes", em uma postagem.
E não resisti a mencionar a música - que adoro! - dos Secos e Molhados, em que a primavera - e a vida, claro! - persiste nos dentes de alguém que foi até decepado.
(Seguem o link para ouvir a música no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=oIbled8a3lY e a letra):
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade e decepado
Entre os dentes segura a primavera
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